ONU CRITICA BRASIL POR PRIVAR LIBERDADE

Um grupo de trabalho formado por especialistas da ONU criticou na quinta-feira, dia 28 de março, o “uso excessivo da privação de liberdade” como punição a crimes no Brasil e deficiências na assistência jurídica a presos pobres no país. Segundo matéria produzida pelo jornalista João Fellet, da BBC Brasil, em Brasília, as críticas estão presentes em um texto divulgado ao fim de uma visita de dez dias do grupo pelo país, a convite do governo brasileiro. No documento, a equipe se disse seriamente preocupada com o uso da privação de liberdade no Brasil e reconheceu que boa parte da população carcerária no país não tem condições de pagar advogados, dependendo de Defensores Públicos.

O longo período que antecede o julgamento de acusados no Brasil foi outro problema apontado pelos especialistas, que citam casos de presos que esperam por julgamento há anos. Os peritos concluíram que prender acusados ou condenados por crimes é a punição mais usada no país, embora o Brasil seja signatário de acordos internacionais que fornecem proteção contra a privação arbitrária de liberdade.

“O Brasil tem uma das maiores populações de prisioneiros do mundo, com mais de 550 mil pessoas na prisão. O que é mais preocupante é que cerca de 217 mil detidos aguardam julgamento em prisão preventiva.”

No entanto, a equipe observou uma “tendência preocupante” de que a privação de liberdade está sendo usada como primeiro recurso, em vez de último. A equipe visitou centros de detenção em Brasília, Campo Grande, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo e diz ter encontrado pessoas presas em razão de infrações leves, que deveriam ter sido punidas com medidas alternativas.

A equipe da ONU expressou ainda preocupações com prisões de dependentes de drogas. O grupo de trabalho está seriamente preocupado com a informação de que estas medidas também são fortemente aplicadas devido a futuros grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 que o Brasil sediará.

Segundo o texto de João Fellet, na visita, a delegação, integrada pelo chileno Roberto Garretón e pelo ucraniano Vladimir Tochilovsky e acompanhado por equipe do Escritório da ONU do Alto Comissariado para os Direitos Humanos em Genébra, se reuniu com as autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário nas esferas federal e estadual e com organizações da sociedade civil. A visita gerará um relatório, a ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2014.

Segundo o texto, contatado pela BBC Brasil, o Ministério da Justiça não comentou as críticas da delegação da ONU, o Governo Brasileiro também não se pronunciou sobre as críticas.

 

http://dp-pi.jusbrasil.com.br/noticias/100431913/onu-critica-brasil-por-privar-liberdade-e-fala-da-carencia