A ELEGÂNCIA DE UM HOMEM, FRENTE À ESCANDALOSA PROMISCUIDADE DOS FREQUENTADORES DAQUELE PROSTÍBULO – NELMON J. SILVA JR.

Apesar de entristecido, julgo ser saudável compartilhar alguns momentos felizes de minha infância. Mamãe foi uma mulher de sorte (caso tal conceito seja realmente possível), afinal foi filha única de duas famílias historicamente importantes para a sociedade Bauruense, cidade destacável à política (café com leite) do início do Século passado.

Cristina, minha falecida genitora (termo usados por seculares, ainda que vividos apenas 50% desse tempo) foi filha de Nair e Pery Natalino. Vovó foi filha de João Simonetti, que, supostamente, teria nascido no dia 30 de maio de 1886, em  Dois Córregos. Mas, na verdade ele era italiano, a família não sabe de qual região do país. A origem exata do fundador da TV Bauru se perdeu no passar dos anos e na falta de documentos, queimados para esconder sua verdadeira nacionalidade. Tudo isso porque, para ser dono de uma rádio e uma futura emissora de televisão era preciso ser brasileiro, como determinava a Constituição.1 Lembro-me de histórias como o Edson (aqueles que todos conhecemos como Rei Pelé) haver iniciados seus primeiros dribles no campinho da rádio; ou que Getúlio Vargas teria por vezes buscado os conselhos de meu(s) bisavô(s). Se verdadeiras essas histórias?, sinceramente, não sei, até porque vejo nelas a beleza da recordação de alguns poucos nomes familiais (ainda que inverídicas fossem-nas).

Já a família do (vo)vô Pery, descendes de João Ignácio Santinho, certamente mais numerosa e economicamente menos favorecida que a de vovó, porém igualmente contribuiu com a história da cidade, tanto que existe uma rua homenageando-o2. Infantil é minha lembrança do carinho daquele elegante homem, que me sentava ao seu colo, e com a paciência de um Professor me orientava quanto ao manejo de sua maravilhosa Remmington 1916, a qual dele honradamente herdei. Merece sublinhar o fato de que todos os filhos do vô (leia-se bisavô) Santinho, formaram-se, cuja grande maioria dedicou-se ao magistério; inclusive o vo(vô) Pery, certamente o homem mais culto que conheci. Obviamente, idêntica é a história (formacional) herdada dos meus avós paternos.

Lealmente compartilho essa história, porque amolda-se perfeitamente à ora postada, tendo como (equivocado) título: Defesa de Dilma abandona comissão de Impeachment e causa confusão, por não aceitar votação em globo.

Na verdade, enquanto Advogado, e principalmente enquanto cidadão, o que concluí ao assistir a indigesta sessão plenária, foi (novamente) relembrar dos ensinamentos transmitido por meus familiares; ou seja, a elegância só cabe aos que berço tem, sendo sua presença tão incômoda aos menos favorecidos, ao ponto desse (não raras vezes) sofrer inimagináveis violências praticadas por seus pares. Percebam o idêntico tratamento dispensado ao respeitável Advogado da requerida, que apesar dos covardes ataques, demonstrou-se elegante enquanto fez-se presente (atitude característica aos bem nascidos).

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1Fonte: http://www.vivendobauru.com.br/o-pioneiro-joao-simonetti/. Acesso em: 05.06.2016.