HISTÓRIA, IDEOLOGIA E DESTITUIÇÃO – NELMON J. SILVA JR.

HISTÓRIA, IDEOLOGIA E DESTITUIÇÃO

HISTORY AND IDEOLOGY AND IMPEACHMENT

SILVA JR., Nelmon J.1

RESUMO: Reflexão sobre história, ideologia e destituição.

PALAVRAS-CHAVE: História. Ideologia. Destituição. Educação. Tribunal.

ABSTRACT: Essay on the history, ideology and impeachment.

KEYWORDS: History. Ideology. Impeachment. Education. Court.

Incrível supor que algum lúcido patriota tenha assistido aos atos do processo de Destituição Presidencial, sem o menor embaraço sentir; portanto, escrevo almejando a revolucionária2 reconquista de nossa dignidade. Convém relembrar que a primeira grande revolução da história do homem (enquanto homo, agora da espécie sapiens) foi a Neolítica, ocorrida na transição dos períodos Paleolítico e Neolítico (aproximadamente entre 9000 e 3000 a.C.), deixando de ser nômade, ao dominar (ainda que rudimentarmente) técnicas agrícolas, fixando-se na terra, razão pela qual também é chamada revolução Agrícola. Merecem destaques identicamente relevantes as revoluções conhecidas por Renascimento (Séc. XII); Científica (Séc. XIV); Iluminismo (Séc. XVI); Socialistas (Séc. XX); além da ora experimentada, conhecida por Global(ização), identicamente revolucionárias àquela:

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O conhecimento (educacionalmente transmitido, ainda que divorciado de metodologia pedagógica) lhes é a característica fundamental; portanto sustentar qualquer argumento contrário, soa-me intelectualmente leviano. Dessa premissa, posso concluir que nossa evolução (enquanto sapiens) baseou-se justamente na sapiencia; em assim o sendo, afastados estão eventuais dogmas ou preconceitos intoleráveis à conclusão.

Para Aristóteles (por alguns citado como sendo o pai do pensamento e da política) República, Monarquia e Anarquia são formas puras de governo; Unitária ou Federal é a forma do Estado; enquanto que (semi)Presidencialista e Parlamentarista, é o sistema de governo. Autoritarismo, Totalitarismo, Teocracia, Ditadura e Democracia, são regimes políticos; sendo o Capitalismo apenas um sistema econômico; enquanto que o Socialismo Científico (Socialismo Marxista ou Marxismo) é uma teoria/doutrina sócio-político-econômica, contraposta ao Capitalismo, objetivando sua substituição pelo Comunismo.

Relembrados dos elementares conceitos, sem muito esforço intelectual, conclui-se que a maioria dos Congressistas (367 Deputados e 60 Senadores) sequer os conhecem, tanto que vimos pronunciamentos parlamentares ultrapassarem às raias do ridículo absurdo: O Partido dos Trabalhadores (PT) é um partido Comunista; seus filiados irão acabar com a Democracia. Como poderia a ex-Presidente da República adotar sistema de governo diverso à Democracia, ou o PT ser um Partido Econômico (não político, que “Comunista”)?

Ideologia pode ser um termo que possui diferentes significados e duas concepções: a neutra e a crítica. No senso comum o termo ideologia é sinônimo ao termo ideário, contendo o sentido neutro de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. Para autores que utilizam o termo sob uma concepção crítica, ideologia pode ser considerado um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física) de forma prescritiva, alienando a consciência humana. Para alguns, como Karl Marx, a ideologia age mascarando a realidade.3

Trouxe o conceito, porque há muito venho sublinhando a importância da Educação, enquanto desalienante ao homem pós-moderno, desde que hermeneuticamente conceituada.

Sagaz é o entendimento de Slajov Zizek, quando aborda o tema, sob o enfoque do real, em exatas palavras:

Freud assinala que, no sonho, deparamos com o núcleo sólido do Real precisamente sob a forma do “sonho dentro do sonho” — isto é, quando a distância em relação à realidade parece duplicada. De maneira mais ou menos homóloga, deparamos com o limite intrínseco da realidade social, com aquilo que tem que ser foracluído para que emerja o campo coeso da realidade,justamente sob a forma da problemática da ideologia, de uma “superestrutura”, de algo que parece ser um mero epifenômeno, um reflexo especular da “verdadeira” vida social. Estamos lidando, aqui, com a topologia paradoxal em que a superfície (a “mera ideologia”) está diretamente vinculada com — ocupa o lugar de, representa — aquilo que é “mais profundo que a própria profundeza”, mais real que a própria realidade.4

A necessária reinterpretação hermenêutica da ideologia, dá-se em razão de outro conceito, qual seja, o da mais-valia; que (simplistamente) segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a mais-valia é o aumento do valor de uma coisa por causas extrínsecas a esta. O conceito foi desenvolvido pelo Alemão Karl Marx (1818-1883) […] A mais-valia é portanto a base da acumulação capitalista.5

Em recente artigo afirmei: Sabemos que a revolução comunista da Rússia deu-se após citada primeira grande guerra, fato suficiente para que, em 1924 filósofos marxistas fundassem, na derrotada Alemanha o Institute for Social Research (Instituto para Pesquisas Sociais), mais conhecido como Escola de Frankfurt. Igualmente sabemos que no mesmo espaço e tempo floresceu o ideário Nazista, responsável pela transferência da sede do instituto germânico para a Universidade de Columbia (NY)6, em 1934, lá permanecendo até idos de 1951.

No período em que a Escola de Frankfurt esteve sediada nas terras do Tio Sam, é que convenientemente foi divorciado do ideário Marxismo a economia, e a ele unido a cultura; fundamental à Teoria Crítica, que age através do direcionamento de suas críticas à ordem política e econômica do “mundo administrado”. Essa ordem vigora aos moldes de um aparato tecnológico que, de certa forma, incide na sociedade o seu condicionamento padronizado, homogêneo e, sobretudo, sem a perspectiva de empreender a vida de cada indivíduo de forma autônoma.7

Conclusivo é que os meios de comunicação de massa, como TV, rádio, jornais e portais da Internet, são propriedades de algumas empresas, que possuem interesse em obter lucros e manter o sistema econômico vigente que as permitem continuarem lucrando.8

Conclusão óbvia é que devemos combater esse modelo do politicamente correto (ou da tolerância irracional, quando nos impõem o marxismo cultural9 neoliberal estadunidense) afim de (ideológica e revolucionariamente) coibir o Judiciário acovardar-se frente aos abusos cometidos pelos três Poderes, deixando o nacional à sorte (em si mesma); portanto mantém-se operante apenas pela ganância de seus serventuários, ávidos pelo recebimento de seus salários, já que funcionalmente não mais se justifica como instituição prestadora da devida tutela jurisdicional do Estado. Faltam-lhes vergonha na cara!10sendo a nossa dada aos tapas, após a vergonhosa atuação do Pretório Excelso, no escandaloso processo de Destituição Presidencial; uso esse termo porque sou patriota, e impeachmentexistir nas terras do tal Sam.

1ADVOGADO CRIMINAL ESPECIALISTA EM DIREITO (PROCESSUAL) PENAL, CIBERCRIMES E CONTRATERRORISMO; CIENTISTA E ESTUDIOSO DO DIREITO (PROCESSUAL) PENALCV Lattes: http://lattes.cnpq.br/7382506870445908

1.MANTENEDOR DOS BLOGS CIENTÍFICOS: https://ensaiosjuridicos.wordpress.com http://propriedadeintelectuallivre.wordpress.com/ https://jusbarbarie.wordpress.com/.

2. CIENTISTA COLABORADOR: Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (Portal de e-governo – BR) Glocal University Network (IT) – Universiteit Leiden (ND) – University of Maryland (US) – Comissão Européia (Direcção-Geral de Pesquisa e Inovação – UE).

3. MEMBRO: Centro de Estudios de Justicia de las Américas (CEJA – AL); Instituto de Criminologia e Política Criminal (ICPC); Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM); Associação dos Advogados Criminalistas do Paraná – (APACRIMI); International Criminal Law – (ICL – EUA); National Association of Criminal Defense Lawyers (EUA); The National Consortium for the Study of Terrorism and Resposes to Terrorism (START – EUA); e International Center to Counter-Terrorism – The hague (ICCT – HOL); World Intelectual Property Organization (WIPO – ONU).

4. MEMBRO FUNDADOR: Associação Industrial e Comercial de Fogos de Artifícios do Paraná/PR; e AINCOFAPAR (Conselheiro Jurídico), Associação Bragantina de Poetas e Escritores.

5. COLABORADOR DAS SEGUINTES MÍDIAS: www.arcos.org.br www.conteudojuridico.com.br http://artigocientifico.uol.com.br http://www.academia.edu/http://pt.scribd.com/http://www.academicoo.com/ http://www.jusbrasil.com.br/http://pt.slideshare.net/http://www.freepdfz.com/, dentre outras.

6. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS CIENTÍFICOS: Fogos de Artifício e a Lei Penal (2012); Coletânea (2013); Propriedade Intelectual Livre (2013); e Cibercrime e Contraterrorismo (2014).

7. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS LITERÁRIOS: Valhala (1998); Nofretete (2001); e Copo Trincado (2002).

2Que introduz novidades ou grandes alterações. = INOVADOR ≠ CONSERVADOR […] Que ou aquele que introduz novos processos ou grandes alterações em alguma coisa. ≠ .REACIONÁRIO, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/revolucion%C3%A1rio. Acesso em: 04.09.2016.

3Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia. Acesso em: 03.09.2016.

4Theodor W. Adorno… [et. al.J ; organização Slavoj 2izek; Um mapa da ideologia / tradução Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro : Contraponto, 1996. p. 35/36.

5Fonte: http://conceito.de/mais-valia#ixzz4JFys0TeE. Aceso em: 03.09.2016.

6Responsável pela administração dos jurados do Prêmio Pulitzer.

8SILVA JR., Nelmon J. QUEM É O TAL “TIO SAM”? Disponível em: https://ensaiosjuridicos.files.wordpress.com/2016/08/quem-c3a9-o-tal-sam.pdf. Acesso em: 03.09.2016.

9Marxismo cultural é uma estratégia discursiva utilizada predominantemente pela direita brasileira para anular as práticas opostas aos seus objetivos, as colocando sob a classificação de “marxistas”, “de esquerda”, “comunistas”.  Fonte: http://colunastortas.com.br/2014/11/24/o-que-e-marxismo-cultural/. Acesso em: 03.09.2016.

10Óp. cit. 08.

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