QUEM VOCÊ PENSA QUE É? – NELMON J. SILVA JR.

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QUEM VOCÊ PENSA QUE É?

WHO DO YOU THINK YOU ARE?

SILVA JR., Nelmon J.1

RESUMO: Reflexão sobre o homem e as leis.

PALAVRAS-CHAVE: Humano. Hipocrisia. Leis.

ABSTRACT: Essay on the men and laws.

KEYWORDS: Human. Hypocrisy. Laws..

Se parte significativa do pensamento dá-se através da linguagem, não é errado afirmar que uma pessoa que fala dois idiomas, pensa em duas línguas; a contrario sensu, a linguagem simplificada utilizada nas redes sociais reduzem o pensamento. Informação não é conhecimento, porém em consequência dessa confusão estabelecida pela era digital, houve a desierarquização do conhecimento, perniciosa à sobrevivência humana.

Gizo que o homem é um animal resiliente, tanto que a sensação da dor pela perda da pessoa amada, perece-nos eterna; ou ainda melhor, quem de nós teve a felicidade de cumprir a promessa de eterno amor ao primeiro affair? Esse fetiche2 acontece frequentemente com o homem (de forma natural) porque instintivamente admite o autoengano (é o resultado de um processo mental que faz com que um indivíduo, em um momento, aceite como verdadeira uma informação tida como falsa por ele mesmo noutro momento. Exemplo clássico desse processo é o hábito de se adiantar o próprio relógio para não chegar atrasado aos compromissos.)3 Convenhamos que nobreza alguma há nessa característica humana.

O que nos parece mais difícil, iniciar imediatamente um regime, ou crer na possibilidade de estar-se apto a iniciá-lo em algumas semanas? Na contramão de nossa rasa suposição, resta evidente ser mais fácil mudarmos nossas crenças, do que nosso comportamento; mesmo sabendo que crenças não mudam os rumos da vida, porém teimamo exercer a defesa das crenças em detrimento dos atos.

Infeliz foi descobrir que erraram os grandes filósofos sobre a predominância racional humana, o que se constata imaginando alguém caminhar duas quadras para comprar uma pasta A/Z, que custa R$ 40,00 (quarenta reais), no caixa foi alertado que a mesma pasta, no concorrente distante outras duas quadras, custa a metade do preço; parece óbvio concluir que a maioria optaria pela compra no concorrente. Na mesma hipótese, substituindo o objeto (notebook de R$ 2000,00 – dois mil reais), igualmente alertado que o mesmo, no concorrente custa R$ 1980,00 (um mil novecentos e oitenta reais), a opção pelo concorrente já não me parece tão óbvia, apesar do valor nominal ser o mesmo; portanto conclui-se inexistir essa predominância racional nos homens.

Divisão é outra característica humana, justificável por nossa própria formação fabril; ou dito de outra forma, quem desconhece a existência do flaflú (atletiba, grenal, etc); nunca assistiu seriado do bem contra o mal; guardou a roupa limpa no guarda-roupa, e as sujas arquivou na lavanderia; ou estabeleceu seu padrão do belo e do feio? Portanto, em relação ao discurso da recente polarização social, soa-me tendencioso. Incontestavelmente somos polarizadores natos, e para garantir o mínimo convívio social, criamos o Direito.

Não me permito sequer imaginar o Judiciário contaminado por qualquer agente externo. Sejamos racionais e isentos de hipocrisia, afinal todos sabemos que tolerância está intimamente ligada ao nosso eu (toleramos o que nos convém, ou minimamente não nos incomoda). Permito-me dizer mais, até os tolerantes ativos não aceitariam (numa hipótese acadêmica) o convívio diário e íntimo de sua família com personagens históricos, como Adolph Hitler, Gengis Kan, dentre outros. Parafraseando Luiz Felipe Pondé, somos uma geração mimada, já que qualquer crítica nos ofende; a história não lembrará de nós como a era do ipad, mas certamente como a era do ressentimento.

Incentivar discussões quanto aos Direitos das minorias, soa-me mesquinho, especialmente quando (já) garantidos pela Constituição Federal, além dos Tratados Internacionais. Inaceitável a perseguição ao povo árabe, em sua maioria islâmico, portanto devoto a rígidos princípios dogmáticos; diverso da caricatura davinciana do homem-bomba, criada pelo governo estadunidense, em prol de seus objetivos imperialistas. Admitir a influência da simbologia do consumo (american way of life – quem somos, pelas marcas que usamos) nas relações judiciárias, beira a demência.

Próximo ao arremate, julgo oportuno frisar a inexistência de estabilidade geopolítica mundial (aliás novidade alguma deveria nos despertar), afinal todos sabemos que não existe Legislação ou Poder Judiciário universal, bem como nenhum país abdicará pacificamente de sua soberania, portanto concluir que a anarquia é a forma de governo universalmente adotada por todos os países em relação aos demais, parece-me lógico, tanto que Aristóteles conceituou a anarquia como sendo uma das formas puras de governo.

Por conseguinte, a niilista tolerância rotineiramente demonstrada pelo Judiciário, me remeteu ao sonho de um homem ridículo (Dostoiévski), onde o narrador ensinou as pessoas de uma comunidade perfeita a mentir, incentivou-lhes o orgulho e a traição, o que culminou o primeiro assassinato. Depois dessa tragédia, facções foram criadas e batalhas travadas, levando os moradores daquela cidade utópica, ao esquecimento do seu passado feliz e perfeito. Creio que sob semelhante perspectiva, Blaise Pascal concluiu ser o homem apenas disfarce, mentira e hipocrisia.

1ADVOGADO CRIMINAL ESPECIALISTA EM DIREITO (PROCESSUAL) PENAL, CIBERCRIMES E CONTRATERRORISMO; CIENTISTA E ESTUDIOSO DO DIREITO (PROCESSUAL) PENALCV Lattes: http://lattes.cnpq.br/7382506870445908

1.MANTENEDOR DOS BLOGS CIENTÍFICOS: https://ensaiosjuridicos.wordpress.com http://propriedadeintelectuallivre.wordpress.com/ https://jusbarbarie.wordpress.com/.

2. CIENTISTA COLABORADOR: Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (Portal de e-governo – BR) Glocal University Network (IT) – Universiteit Leiden (ND) – University of Maryland (US) – Comissão Européia (Direcção-Geral de Pesquisa e Inovação – UE).

3. MEMBRO: Centro de Estudios de Justicia de las Américas (CEJA – AL); Instituto de Criminologia e Política Criminal (ICPC); Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM); Associação dos Advogados Criminalistas do Paraná – (APACRIMI); International Criminal Law – (ICL – EUA); National Association of Criminal Defense Lawyers (EUA); The National Consortium for the Study of Terrorism and Resposes to Terrorism (START – EUA); e International Center to Counter-Terrorism – The hague (ICCT – HOL); World Intelectual Property Organization (WIPO – ONU).

4. MEMBRO FUNDADOR: Associação Industrial e Comercial de Fogos de Artifícios do Paraná/PR; e AINCOFAPAR (Conselheiro Jurídico), Associação Bragantina de Poetas e Escritores.

5. COLABORADOR DAS SEGUINTES MÍDIAS: www.arcos.org.br www.conteudojuridico.com.br http://artigocientifico.uol.com.br http://www.academia.edu/http://pt.scribd.com/http://www.academicoo.com/ http://www.jusbrasil.com.br/http://pt.slideshare.net/http://www.freepdfz.com/, dentre outras.

6. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS CIENTÍFICOS: Fogos de Artifício e a Lei Penal (2012); Coletânea (2013); Propriedade Intelectual Livre (2013); e Cibercrime e Contraterrorismo (2014).

7. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS LITERÁRIOS: Valhala (1998); Nofretete (2001); e Copo Trincado (2002).

2Do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português feitiço cuja origem é o latim facticius “artificial, fictício”. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fetiche. Acesso em: 05.09.2016.
3Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Autoengano. Acesso em: 05.09.2016.

 

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