CAPITALISMO, TOMÁS DE AQUINO & MATRIX – NELMON J. SILVA JR.

 

matrix-capitalista-copia-copia

CAPITALISMO, TOMÁS DE AQUINO & MATRIX

CAPITALISM, THOMAS AQUINAS & MATRIX

SILVA JR., Nelmon J.1

RESUMO: Sobre o capitalismo.

PALAVRAS-CHAVE: Capitalismo. Crise. Matrix.

ABSTRACT: About capitalism.

KEYWORDS: Credit. Crisis. Matrix.

_______________________________________________________________________________________

   Desconheço qualquer patrício lúcido e (sociologicamente) tranquilo neste momento de crise(s) política, judiciária e institucional. Arrisco afirmar que o fato não é exclusivo ao Brasil, nem tampouco fomos pioneiros na história. Para sua mínima compreensão, relembro que o homem tribal não possuia bens privados (materiais ou humanos2), porque a produção estava estritamente adstrita ao necessaŕio (não havia excesso produtivo), portanto supertfluo seria o acúmulo dos mencionados bens. Conclui-se que a produçáo humanda foi a (única) responsável pelo acúmulo de bens pelo homem; origem remota do sistema capitalista. Para sustentar as bases desse sistema, São Tomás de Aquino desenvolveu o “revolucionário” conceito do livre arbítrio, com o qual jamais poderei comungar; aliás creio que só um completo alienado poderia acreditar nesse absurdo ideário, afinal nossas decisões sempre estão vinculadas às opções ofertadas pelos representantes das elites domintes.

   Lembro da estreia do filme The Matrix (1999), cujo enredo autoconceituava seu título como sendo um sistema computacional dominante da humanidade, através da irreal projeção da estabilidade/segurança social, nela vivida. Correlações importantes foram feitas entre o enrredo deste filme e a alegoria da caverna de Platão, onde um prisioneiro duma sombria caverna, ao sair dela descobre a beleza do mundo exterior, e fascinado pelo que viu, retorna para compartilhar essa experiência com os ex-comparsas, sendo (ilogicamente) desacreditado, e finalmente espancado até a morte. Uma cena deste filme merece ímpar destaque para futura reflexão: o diálogo entre Morpheu e o Sr. Smith (ao afirmar que o homem, apesar de aparentemente ser mamífero, age como vírus, descrevendo-nos cirurgicamente a ocupação e posterior destruição do meio em que vivemos).

   Há alguns anos, Zizek vem sistematicamente interpretando os significados dos protestos ocorridos em inúmeros países do planeta, revelendo-nos que apesar de seus protestos serem, nominalmente, dirigidos contra a lógica brutal do mercado, elas estão protestando, de fato, contra a erosão gradual de sua posição econômica privilegiada (politicamente). Em “Atlas Shrugged”, Ayn Rand tem a fantasia de fazer greve contra capitalistas “criativos”, uma fantasia que encontra realização pervertida nas greves de hoje, quase todas sustentadas por “burguesias assalariadas” movidas pelo medo de perder o superávit salarial. Esses não são protestos proletários, mas protestos contra a ameaça de ser reduzido a proletariado.

Quem tem coragem de entrar em greve hoje, quando ter um salário fixo é, em si mesmo, um privilégio? Trabalhadores com baixos salários (o que resta deles) da indústria têxtil, etc., não; mas os trabalhadores privilegiados que têm emprego garantido (professores, empregados dos transportes públicos, policiais), sim. Isso também explica a onda de protestos estudantis: sua principal motivação é, sem dúvida, o medo de que a educação superior não garanta um superávit salarial mais tarde, na vida. […] Ao invés de submeter essas tendências à crítica moralizante, devemos lê-las como sinais de que o sistema capitalista não é mais capaz de uma estabilidade autorregulada – em outras palavras, ele ameaça ficar fora de controle.3

   Cirurgicamente conclui o cientista social esloveno: a questão é: entre aqueles que intervêm em nome dos direitos humanos, que tipo de politização colocam em movimento contra os poderes a que eles se opõem? Eles são partidários de uma formulação diferente de justiça ou se opõem a projetos de justiça coletivos? Por exemplo, está claro que a derrubada de Saddam, liderada pelos Estados Unidos, legitimada em termos de pôr fim ao sofrimento do povo iraquiano, não foi apenas motivada por interesses político-econômicos pragmáticos, mas também contou com uma ideia determinada acerca das condições econômicas e políticas sob as quais era para ser entregue a “liberdade” ao povo iraquiano: capitalismo liberal-democrático, inserção na economia de mercado mundial, etc. A política meramente humanitária e anti-política de apenas prevenir o sofrimento equivale, por tanto, a uma proibição implícita de elaborar um verdadeiro projeto coletivo de transformação sócio-político.4

Em suma, o que à primeira vista tomamos como um fracasso que só atingia um princípio nobre (a liberdade democrática) é afinal percebido como fracasso inerente ao próprio princípio. Essa descoberta? de que o princípio pelo qual lutamos pode ser inerentemente viciado? é um grande passo de pedagogia política. A ideologia dominante mobiliza aqui todo o seu arsenal para nos impedir de chegar a essa conclusão radical. […]5

   Igualmente reveladores foram os argumentos sustentados (O problema do fascismo na Democracia), graciosamente compartilhados: o que acontece com a democracia se a maioria está inclinada a votar em leis racistas e sexistas? É fácil imaginar uma Europa democratizada com um povo muito mais engajado na qual a maioria dos governos sejam formados por partidos populistas anti-imigrantes. Eu não tenho medo de concluir que a política emancipatória não deve ser limitada a priori pelos procedimentos formais-democráticos de legitimação.

É claro que nenhum agente político privilegiado sabe inerentemente o que é melhor para as pessoas e tem o direito de impor suas decisões sobre as pessoas contra a sua vontade (como o Partido Comunista Stalinista fez). No entanto, quando a vontade da maioria claramente viola liberdades emancipatórias básicas, tem-se não só o direito mas também o dever de se opor a maioria. Isto não é razão para desprezar as eleições democráticas – mas somente para insistir que elas não são por si só uma indicação da Verdade. Como regra geral, as eleições refletem o juízo convencional da ideologia hegemônica. […] Isso nos traz ao que é a principal contradição do capitalismo global: a imposição de uma ordem política global que corresponderia a uma economia capitalista global é estruturalmente impossível, e não porque é empiricamente difícil organizar eleições globais ou estabelecer instituições globais. A razão é que o mercado global não é uma máquina neutra universal com as mesmas regras para todos. […] Essa tensão define nossa situação hoje: a livre circulação global das mercadorias é acompanhada por crescentes divisões sociais.6

1ADVOGADO CRIMINAL ESPECIALISTA EM DIREITO (PROCESSUAL) PENAL, CIBERCRIMES E CONTRATERRORISMO; CIENTISTA E ESTUDIOSO DO DIREITO (PROCESSUAL) PENALCV Lattes: http://lattes.cnpq.br/7382506870445908

1.MANTENEDOR DOS BLOGS CIENTÍFICOS: https://ensaiosjuridicos.wordpress.com http://propriedadeintelectuallivre.wordpress.com/ https://jusbarbarie.wordpress.com/.

2. CIENTISTA COLABORADOR: Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (Portal de e-governo – BR) Glocal University Network (IT) – Universiteit Leiden (ND) – University of Maryland (US) – Comissão Européia (Direcção-Geral de Pesquisa e Inovação – UE).

3. MEMBRO: Centro de Estudios de Justicia de las Américas (CEJA – AL); Instituto de Criminologia e Política Criminal (ICPC); Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM); Associação dos Advogados Criminalistas do Paraná – (APACRIMI); International Criminal Law – (ICL – EUA); National Association of Criminal Defense Lawyers (EUA); The National Consortium for the Study of Terrorism and Resposes to Terrorism (START – EUA); e International Center to Counter-Terrorism – The hague (ICCT – HOL); World Intelectual Property Organization (WIPO – ONU).

4. MEMBRO FUNDADOR: Associação Industrial e Comercial de Fogos de Artifícios do Paraná/PR; e AINCOFAPAR (Conselheiro Jurídico), Associação Bragantina de Poetas e Escritores.

5. COLABORADOR DAS SEGUINTES MÍDIAS: www.arcos.org.br www.conteudojuridico.com.br http://artigocientifico.uol.com.br http://www.academia.edu/http://pt.scribd.com/http://www.academicoo.com/ http://www.jusbrasil.com.br/http://pt.slideshare.net/http://www.freepdfz.com/, dentre outras.

6. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS CIENTÍFICOS: Fogos de Artifício e a Lei Penal (2012); Coletânea (2013); Propriedade Intelectual Livre (2013); e Cibercrime e Contraterrorismo (2014).

7. AUTOR DOS SEGUINTES LIVROS LITERÁRIOS: Valhala (1998); Nofretete (2001); e Copo Trincado (2002).

2Baseada no sistema escravocrata.

3Zizek, Slavoj. A privatização do conhecimento intelectual. A Revolta da Burguesia Assalariada.

4Zizek, Slavoj. Contra os direitos humanos.

5Zizek, Slavoj. Problemas no Paraíso.

______

PARA TER ACESSO AO ARTIGO (.pdf), CLIQUE SOBRE O LINK:

capitalismo_matrix